O velho oeste deveria ser um gênero perfeito para os videogames. Uma terra de ninguém, conflitos que são resolvidos com tiros e a lei do gatilho mais rápido são elementos que já foram vistos em diversos outros jogos, mas sempre em ambientações diferentes. Felizmente para os apreciadores do estilo, a Rockstarsupriu esse vazio com Red Dead Redemption, o sucessor espiritual de Red Dead Revolver, um título que explora na medida certa os principais elementos que compõem a mitologia dos “farvestes”.
Se você acompanhou de alguma forma RDR desde que ele começou a ser mostrado, é bem possível que tenha encontrado diversas menções sobre como trata-se de um “Grand Theft Horse” – um GTA IV com cavalos ao invés de carros. A comparação não é incorreta e não é, de maneira alguma, negativa. O modelo de Redemption é diretamente retirado de Grand Theft Auto; um mapa vasto e aberto, pessoas que precisam constantemente de favores, atividades paralelas e dezenas de missões secundárias. Isso pode causar alguma decepção para aqueles que esperavam uma continuação direta de Red Dead Revolver. A única semelhança entre os dois jogos – além do fato de se passarem no velho oeste – está nas cicatrizes dos protagonistas, Red Harlow e John Marston.
As mecânicas podem ser em sua maioria as mesmas de GTA IV, mas isso não quer dizer que a experiência seja parecida. Primeiramente, de um ponto de vista técnico, tudo está muito mais refinado em Red Dead Redemption. Os modelos dos personagens, as atuações, movimentação, atirar etc, tudo isso aparece de maneira muito mais fluida e melhor do que nos contos que se passam em Liberty City. Nesse aspecto, o único ponto que apresenta problemas é o sistema de cobertura. John nem sempre se esconde atrás de um objeto quando o mandamos, muitas vezes ficando parado recebendo tiros, o que pode causar algumas mortes frustrantes.
Em segundo, o foco de RDR não está em seus personagens mas sim em seu ambiente e no que aquilo representa. Algumas das pessoas encontradas durante a jornada de John são interessantes, mas elas são todas tipos. O dono do rancho que lutou contra nativos americanos, o xerife que não consegue lidar com novas tecnologias, o picareta que engana menos pessoas a cada dia que passa, o antigo pistoleiro que era uma lenda mas foi esquecido por todos etc. Nenhum deles aparece na trama por muito tempo nem têm nenhum tipo de relacionamento forte com John. Individualmente é difícil que você se sinta apegado a qualquer um deles, pois é no conjunto que seu significado aparece.
Essas figuras quando juntas mostram o verdadeiro mote de Red Dead Redemption, que fala sobre o fim de uma era. Um tempo em que as coisas estavam mudando, no qual as maneiras antigas não têm mais lugar. Pouco a pouco esses personagens – e consequentemente os tipos que eles representam – mostram como não têm mais espaço nesse ambiente que estava, supostamente, sendo civilizado de maneira avassaladora.
A única exceção para tudo isso é o protagonista. É verdade que John Marston, em sua busca de vingança e salvação, não apresenta nenhum tipo de problemática ou empecilhos morais que o separem de seu objetivo. Enquanto seu protótipo parece estar no personagem de William Munny do filme Os Imperdoáveis, John não vê problemas em fazer o que deve ser feito para conseguir o que quer. Quando fala de seu passado, ele justifica suas atitudes, como assaltos e roubos, sem nenhum remorso, dizendo que “tirava apenas daqueles que tinham muito”.
Yanyys

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